25 de fevereiro de 2013

A Verdade. [3]

Foi assim que começou a se recuperar. Que voltou a ter fé em si, na vida, nas pessoas e no futuro.

Mônica continuava se sentindo culpada e direcionando sua raiva até mesmo para aqueles que não mereciam, mas os dias vinham e iam e tudo começava a melhorar.
Quando a era do remédio acabou, o véu que cobria seus olhos foi retirado e o mundo lhe pareceu um corredor com milhões de portas que ela poderia abrir e descobrir novas escolhas, novas histórias e novas oportunidades. O que a assustava até então continuou assustando, mas a confiança em seu potencial e o reconhecimento de outras pessoas a fizeram repensar atitudes e reconhecer que tudo o que fazia, fazia muito bem.
Mesmo quando a insegurança a abatia e a calava, Mônica avaliava novamente suas opções e chegava a conclusão de que funcionava bem sob pressão. Utilizava a pressão como uma forma de fazer as coisas acontecerem, mas todo o desespero que a acompanhava até a última semana dos prazos quase a fazia surtar novamente.

Aprendeu que momentos de tensão e de desprazer apareceriam durante toda a sua vida e se conformou com isso. Aprendeu a lidar com os sentimentos conflituosos e com a culpa, levou muito tempo para descobrir como conseguiria mantê-los numa caixinha em sua mente, mas conseguiu. Aprendeu a lidar com suas próprias reações ao desespero e a pressão. Depois daquele dia de terapia onde a verdade se abateu e todos os problemas pareciam emergir de um Édipo mal resolvido - ou um período pré-edipiano, se fosse uma escolha melhor -, ela parou para avaliar sua situação e começou a fazer planos sozinha de como se livrar da presença onipotente de sua mãe - que a ajudou tanto a levantar e sair da cama para viver novamente - e voltar a ser apenas filha, mas uma filha que está crescendo e que vai voar sem companhia logo logo. Novamente a culpa aparecia, depois de tanto que a mãe fizera, mas ela sabia que esse é o ciclo da vida e que hora ou outra isso teria de acontecer.

Engoliu o orgulho, a culpa, o medo e o amor sufocante e aprendeu que a pessoa que mais tem de amar nessa vida é aquela que vê no espelho.

Chegando a essa conclusão, percebeu que foi longe demais para voltar. Dessa maneira, levantou a cabeça e seguiu em frente - culpada, mas feliz.

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