23 de dezembro de 2012

Emoção.

"- Estou começando a pensar que existem
dois tipos de pessoas - ela falou.
Esperei.
- Aquelas que se perdoam facilmente,
mas não conseguem perdoar os outros.
- E? - perguntei.
- Aquelas que perdoam os outros facilmente,
mas não conseguem se perdoar."
Um Lugar Para Ficar, Deb Caletti

"Vejo-me em destroços, ferida profundamente.
Não me recordo de minhas virtudes. Reconheço minhas
fragilidades e parece agora que só sou feita delas."
Em busca da excelência da humanidade possível:
uma ponte chamada Emoção, Sandra Papesly Sabbag

21 de dezembro de 2012

A verdade. [2]

Em dias ensolarados fora de seu quarto, mas que pareciam cinza dentro do quarto com janelas fechadas e paredes azuis que não lhe pertenciam, Mônica passava as horas tentando preencher sua cabeça com histórias que outras pessoas escreveram e que continham finais felizes, imaginando se um dia encontraria o seu. Sua mãe sempre entrava e pedia para abrir as janelas, mas nunca teve a permissão para isso. Não depois do episódio desastroso e vergonhoso pelo qual Mônica passara. Não se sentia merecedora.

Depois de muito insistir, sua mãe cansara de receber não como resposta e abriu as janelas mesmo assim, começando o ritual diário de tirar Mônica da cama para ver um pouco do sol e se sentar a mesa da cozinha para almoçar e ver outras pessoas de sua família. Não suportava mais o cheiro quente de pessoa trancafiada e deprimida em um quarto sem correntes de ar queimando suas narinas. Ela precisava sair.

Mônica começou a se sentir um pouco melhor se movimentando e vendo a luz do dia, e começou a pensar se, de repente, ainda havia esperança para ela. Se, de repente, ela não era toda culpa e tristeza. Se, de repente, ela tinha qualidades dentro de si que pudessem ser reconhecidas se saísse da cama. E então saiu.

Ideias sobre a vida.

"Mas o fato é que, mesmo que ninguém note, eu tenho novas teorias e ideias sobre a vida, um novo senso de como fazer as coisas darem certo. Chega uma hora, um ponto em que você sente uma linha imaginária - você está viajando por uma estrada, não sabe exatamente para onde está indo, mas sabe que está longe demais para voltar."

"Tudo isso some quando estou na floresta, envolvida pelas tardes violetas, ou observando o dia heroicamente seguir adiante. Eu me sinto infinita e eterna, como se pudesse parar em qualquer ponto e fazer milagres."

Quase Verdade, Jennifer Kaufman & Karen Mack

20 de dezembro de 2012

A verdade.


“Você cuida das pessoas que ama, mas também é
verdade que você cuida das coisas que você tem.”
Um Lugar Para Ficar, Deb Caletti

Foi após aquele dia de terapia que a verdade se abateu sobre ela. E todos sabem o quanto verdades doem e são difíceis de lidar. No caso dela, tudo o que conseguiu sentir foi raiva. Pela primeira vez na vida, soube dizer exatamente os motivos pelos quais sentia raiva, tanta e tanta raiva. Ninguém poderia culpá-la, somente ela mesma. E mesmo sabendo que tinha todos os motivos do mundo para sentir raiva, ainda se culpava. A culpa a consumia.

É verdade que adolescentes são possíveis atrativos de problemas e que os pais se sentem tão receosos e apavorados com a perspectiva de lidar com um que acabam muitas vezes não lidando. Mas, às vezes, aquele comportamento conturbado e hostil não simboliza apenas uma fase, e sim um distúrbio muito mais enraizado nas entranhas de uma pessoa e que a faz sentir raiva de tudo. Essa opção era a mais compatível com a situação em que Mônica se encontrava.


23 de novembro de 2012

Chasing Pavements


Eu já me decidi
Não preciso mais pensar nisso
Se estiver errada, estou certa
Não é preciso procurar mais
Isto não é luxúria
Sei que é amor mas...

Se eu dissesse ao mundo
Eu não diria o bastante 
Por que não foi dito a você
E é exatamente o que preciso fazer 
Se eu estiver amando você...

Eu devo desistir
Ou devo apenas continuar perseguindo calçadas?
Mesmo se ela me conduzir a nenhum lugar 
Seria um desperdício? 
Mesmo se eu conhecer meu lugar, devo deixá-lo? 
Eu devo desistir 
Ou apenas continuar perseguindo calçadas 
Mesmo se ela conduzir a nenhum lugar 

Eu poderia me recompor 
E voaria em circulos 
Na espera, como nas gotas do coração 
E atrás de mim começa a dor 
Finalmente poderia esta ser isso ou 

Eu devo desistir
Ou devo apenas continuar perseguindo calçadas?
Mesmo se ela me conduzir a nenhum lugar
Seria um desperdício?
Mesmo se eu conhecer meu lugar, devo deixá-lo?
Eu devo desistir
Ou apenas continuar perseguindo calçadas
Mesmo se ela conduzir a nenhum lugar...

19 de novembro de 2012

Capricho.

Chego num lugar e sei que todos são meus parentes maternos mais próximos, mas não sinto-me à vontade com estes. Não é que eles não sejam bons ou divertidos ou inteligentes - deve ser o relacionamento materno conturbado que traz toda a demanda com ele. Parece que as coisas simplesmente não se encaixam, como se faltasse algo - não me sinto parte daquilo. Estou na casa de um parente próximo, mas tudo o que sinto vontade é de voltar para casa. A única com a qual tenho uma ligação gostosa ficou longe por anos demais, e neste momento se tornou uma pessoa com a mesma essência, porém com costumes diferentes - fala bem e nos empolgam sobre algumas pessoas, mas ao conhecê-las tudo o que sinto vontade de fazer é fugir. Correr o mais rápido possível. E não consigo esconder, sou transparente - a expressão facial se modifica sozinha, me isolo e nada pode mudar isto. Me isolo em um banheiro qualquer da casa, tentando fugir do barulho incômodo das risadas altas e da música ruim, tentando esquecer da dor nas costas que me aflige e de todo o resto - e tudo o que consigo fazer é chorar e me descabelar por muito tempo, sem saber como reagir a uma situação dessas. E lá vem novamente o chamado capricho, a criança mimada que quer ir embora e que, como não tem o pedido atendido, começa a espernear. Mas não é isto - as coisas que se passam dentro de meus pensamentos e das minhas vontades são conturbadas, confusas e de difíceis conclusões. Tudo o que quero é correr, correr para muito longe, longe de toda essa situação sufocante e que parece cada dia piorar mais - sabendo que estou rumo à grande melhora. Mas esta grande melhora parece longe demais, difícil demais, e querendo que tudo acabe logo entro em desespero. Uma relação que tanto me afeta e está sendo quebrada, e mesmo na hora do distanciamento me afeta ainda mais, nada fácil. Ainda preciso do reconhecimento, da grande vitória de receber o reconhecimento. Saber que não pensa que é capricho, mimo ou qualquer outra coisa. Só quero ser reconhecida - ser a filha, a menina, a mulher. Ser acolhida.

Olhos.


9 de outubro de 2012

Medo puro.

"É preciso encontrar o outro, mas é fundamental o retorno à solidão."

"Certa vez, uma menina de cinco anos conversava com seu analista sobre seus medos: medo de ladrão, de fantasma, da morte dos pais etc. ... Referiu-se a seu medo maior: entrar no quarto escuro, pois lá poderia haver um ladrão escondido. De repente, ficou em silêncio e disse: - Não, não é isso... o ladrão fui eu que inventei, eu tenho medo puro. É mais fácil ter medo de ladrão do que medo puro. É o temor da queda no escuro, no nada."

Gilberto Safra.

13 de setembro de 2012

Velho.

Noite em claro fora, música alta, gritaria, festas, multidões, falatório, música ruim.
Livros, cama, café, noite em claro dentro, sussurros, poucos amigos, música boa com fones.

Me sinto realmente velha por escolher sempre a segunda opção.

12 de setembro de 2012

Deixe o resto para lá.


Eu sonhei que estava desaparecida, você estava tão assustada
Mas ninguém iria escutar, pois ninguém mais se importava
Depois do meu sonho eu acordei com esse medo
O que eu estou deixando quando eu termino por aqui?

Então, se você me perguntar, eu quero que você saiba


Quando minha hora chegar esqueça os erros que cometi

Ajude-me a deixar para trás algumas razões que deixem saudades
Não fique ressentida comigo, quando se sentir vazia
Mantenha-me em sua memória, deixe o resto para lá
Deixe o resto para lá

Não tenha medo, eu levei minha surra, compartilhei o que consegui

Eu sou forte na superfície, não através do caminho todo
Eu nunca havia sido perfeita, mas você também não

Então, se você me perguntar, eu quero que você saiba


Quando minha hora chegar esqueça os erros que cometi

Ajude-me a deixar pra trás algumas razões que deixem saudades
Não fique ressentida comigo, quando se sentir vazia
Mantenha-me em sua memória, deixe o resto para lá
Deixe o resto para lá

Esquecendo toda a ferida interna que aprendeu a esconder tão bem

Fingindo que outra pessoa pode chegar e me salvar de mim mesma
Eu não posso ser quem você é

Quando minha hora chegar esqueça os erros que cometi

Ajude-me a deixar pra trás algumas razões que deixem saudades
Não fique ressentida comigo, quando se sentir vazia
Mantenha-me em sua memória, deixe o resto para lá
Deixe o resto para lá

Esquecendo toda a ferida interna que aprendeu a esconder tão bem

Fingindo que outra pessoa pode chegar e me salvar de mim mesmo
Eu não posso ser quem você é

Questão.


A questão é: eu acho legal?

11 de setembro de 2012

Palavras.


Início.

Às vezes ainda sinto vontade de morrer, de deixar de existir. De dormir o dia todo e a semana toda e não ver mais nada acontecer - e aí me vem a insônia. Me sinto sufocada, com pessoas dizendo o que devo ou não devo fazer o tempo todo. Como se ninguém visse os avanços que faço, as coisas que antes não fazia e passei a fazer - parece que quanto mais faço, mais há reclamações a me dizer. Parece que nada tem sentido e hoje sinto como se não pudesse suportar tudo o que faço. Me sinto incapaz de fazer tudo o que constitui minha rotina atual, mas a questão é que não me sinto incapaz como "não consigo" ou como "não sei fazer" ou "não aguento tudo isso" - é mais como "eu não tenho forças". Sinto como se não tivesse mais forças para seguir, como se tudo o que eu fizesse - e que tento dar o melhor de mim - nunca fosse o suficiente, nunca fosse bom o bastante para simplesmente ser olhado e elogiado, reconhecido. Não há elogio ou orgulho sem que alguém de fora reconheça, como se tudo dependesse sempre do que os outros pensam. Como posso continuar assim? Tento e tento e tento me desprender dessa relação que me consome e me coloca para baixo, que muitas vezes me faz sentir envergonhada ou humilhada ou apenas incapaz - mas a outra parte não me deixa. Não me deixa em paz, seguir em frente, sair desse sufocamento e dessa situação que me faz sentir tão mal. Sinto como se nunca fosse melhorar a autoestima ou me sentir orgulhosa dos meus feitos. E quando alguém aponta estes feitos e diz "olha quanta coisa você tem a oferecer", me dá uma sensação tão maravilhosa. E pode apostar que não é capricho meu, que não é como se eu só quisesse chamar a atenção; é só que às vezes parece que nunca tive isso. Não é fácil aceitar um elogio, não é fácil reconhecer este elogio. Sempre me emociona. Só queria que este elogio, este reconhecimento, viesse de outra pessoa também.