26 de dezembro de 2013

Sentimentos.

Na chuva levou-se alguém
Não alguém qualquer
Não alguém sem importância
Alguém que me deixou sozinha
Que me permitiu a vida
E agora me permite também a morte.

Na terra levou-se alguém
Para dentro dela ainda duas vezes
Cobriu-se com o véu da morte
E trouxe a verdade maior.

Viver sozinha agora
Ter que seguir sem seus abraços
Sem o acolhimento que me veio desde útero.

Na vida levou-se alguém
Quem me ensinou a viver
E que agora eu levo no peito
Como exemplo e como motivo
Para tentar ser feliz sozinha
Até que a vida me leve também.

12 de dezembro de 2013

Quase sem querer.


Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranqüilo
E tão contente...

Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira

Mas não sou mais
Tão criança, oh! oh!
A ponto de saber tudo...

Já não me preocupo
Se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo
O mesmo que você...

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto...

Já não me preocupo
Se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero
O mesmo que você...

17 de agosto de 2013

The last day on earth.


Ontem foi há um milhão de anos atrás
Em todas minhas vidas passadas eu fui um babaca
Agora eu encontrei você, é quase tarde demais
E esta terra parece estar caindo em esquecimento
Nós estamos tremendo em nossas muletas
Alta e morta, nossa pele é vidro
Eu estou tão vazio aqui sem você
Eu parto minhas mãos de xérox

Eu sei que este é o último dia na terra
Nós estaremos juntos enquanto o planeta morre
Eu sei que este é o último dia na terra
Nós nunca diremos adeus

E os cães se abatem suavemente
O amor queima suas casualidades
Nós somos módulos de provedor danificados
Derrame as sementes nos pés de nossas crianças
Eu estou tão vazio aqui sem você
Eu sei que eles me querem morto

Eu sei que este é o último dia na terra
Nós estaremos juntos enquanto o planeta morre
Eu sei que este é o último dia na terra
Nós nunca diremos adeus

Eu sei que este é o último dia na terra
Nós estaremos juntos enquanto o planeta morre
Eu sei que este é o último dia na terra
Nós nunca diremos adeus

25 de fevereiro de 2013

A Verdade. [3]

Foi assim que começou a se recuperar. Que voltou a ter fé em si, na vida, nas pessoas e no futuro.

Mônica continuava se sentindo culpada e direcionando sua raiva até mesmo para aqueles que não mereciam, mas os dias vinham e iam e tudo começava a melhorar.
Quando a era do remédio acabou, o véu que cobria seus olhos foi retirado e o mundo lhe pareceu um corredor com milhões de portas que ela poderia abrir e descobrir novas escolhas, novas histórias e novas oportunidades. O que a assustava até então continuou assustando, mas a confiança em seu potencial e o reconhecimento de outras pessoas a fizeram repensar atitudes e reconhecer que tudo o que fazia, fazia muito bem.
Mesmo quando a insegurança a abatia e a calava, Mônica avaliava novamente suas opções e chegava a conclusão de que funcionava bem sob pressão. Utilizava a pressão como uma forma de fazer as coisas acontecerem, mas todo o desespero que a acompanhava até a última semana dos prazos quase a fazia surtar novamente.

Aprendeu que momentos de tensão e de desprazer apareceriam durante toda a sua vida e se conformou com isso. Aprendeu a lidar com os sentimentos conflituosos e com a culpa, levou muito tempo para descobrir como conseguiria mantê-los numa caixinha em sua mente, mas conseguiu. Aprendeu a lidar com suas próprias reações ao desespero e a pressão. Depois daquele dia de terapia onde a verdade se abateu e todos os problemas pareciam emergir de um Édipo mal resolvido - ou um período pré-edipiano, se fosse uma escolha melhor -, ela parou para avaliar sua situação e começou a fazer planos sozinha de como se livrar da presença onipotente de sua mãe - que a ajudou tanto a levantar e sair da cama para viver novamente - e voltar a ser apenas filha, mas uma filha que está crescendo e que vai voar sem companhia logo logo. Novamente a culpa aparecia, depois de tanto que a mãe fizera, mas ela sabia que esse é o ciclo da vida e que hora ou outra isso teria de acontecer.

Engoliu o orgulho, a culpa, o medo e o amor sufocante e aprendeu que a pessoa que mais tem de amar nessa vida é aquela que vê no espelho.

Chegando a essa conclusão, percebeu que foi longe demais para voltar. Dessa maneira, levantou a cabeça e seguiu em frente - culpada, mas feliz.

26 de janeiro de 2013

Asleep.


Cante pra eu dormir
Cante pra eu dormir
Eu estou cansado e eu
Eu quero ir pra cama

Cante pra eu dormir
Cante pra eu dormir
E então me deixe sozinho
Não tente me acordar de manhã
Pois eu terei ido

Não se sinta mal por mim
Eu quero que você saiba
No fundo da cela de meu coração
Eu ficarei feliz de ir

Cante pra eu dormir
Cante pra eu dormir
Eu não quero mais acordar sozinho

Cante pra mim
Cante pra mim
Eu não quero mais acordar
Não se sinta mal por mim

Eu quero que você saiba
No fundo da cela de meu coração
Eu ficarei feliz de ir

Há um outro mundo
Há um mundo melhor
Bem, deve haver
Bem, deve haver
Adeus

7 de janeiro de 2013

Lies.


Eu acho que é a hora, vamos desistir
E descobrir o que está nos impedindo
De respirar facilmente e conversar diretamente
O caminho está desimpedido se você estiver pronto agora
O voluntário está se acalmando
E tirando um tempo para salvar a si mesmo

As pequenas fendas eles escalaram
E antes que você perceba é muito tarde
Para enrolar e dizer mentiras

Você se move rápido demais para mim
E eu não consigo te acompanhar
Talvez se você diminuísse o passo para mim
Eu poderia ver que você só está dizendo
Mentiras, mentiras, mentiras
Nos separando com suas
Mentiras, mentiras, mentiras
Quando você aprenderá?

As pequenas fendas eles escalaram
E antes que você perceba é muito tarde
Para enrolar e dizer mentiras

Você se move rápido demais para mim
E eu não consigo te acompanhar
Talvez se você diminuísse o passo para mim
Eu poderia ver que você só está dizendo
Mentiras, mentiras, mentiras
Nos separando com suas
Mentiras, mentiras, mentiras
Quando você aprenderá?


Então cultive o pensamento e o veja crescer

Sopre-o e deixe-o ir

4 de janeiro de 2013

Loucura.


"Tive problemas no meu ofício de professor.
Estou de licença médica por depressão e ansiedade.
E fiquei meses "vegetando" e não queria fazer nada em minha vida.
Só dormir.
Era a melhor parte do dia, dormir, tomar os remédios e desmaiar.
Fiquei assim meses.
Desejei ter uma doença terminal pra eu ir embora desse mundinho.
Tive muitos pensamentos obsessivos, flertei com o suicídio e namorei a Loucura.
Quando o médico perguntou: O que você gostaria de fazer?
Respondi: Se eu fosse fazer algo, iria desenhar e pintar.
E ele disse: Por que não começa? Arrisque!
Como eu não tinha mais nada a perder...
Em setembro de 2011 comecei a produzir compulsivamente.
E assim...
Vou negociando com a Loucura e mantendo-me vivo."
(Sérgio Lobo da Rocha - fonte)