21 de dezembro de 2012

A verdade. [2]

Em dias ensolarados fora de seu quarto, mas que pareciam cinza dentro do quarto com janelas fechadas e paredes azuis que não lhe pertenciam, Mônica passava as horas tentando preencher sua cabeça com histórias que outras pessoas escreveram e que continham finais felizes, imaginando se um dia encontraria o seu. Sua mãe sempre entrava e pedia para abrir as janelas, mas nunca teve a permissão para isso. Não depois do episódio desastroso e vergonhoso pelo qual Mônica passara. Não se sentia merecedora.

Depois de muito insistir, sua mãe cansara de receber não como resposta e abriu as janelas mesmo assim, começando o ritual diário de tirar Mônica da cama para ver um pouco do sol e se sentar a mesa da cozinha para almoçar e ver outras pessoas de sua família. Não suportava mais o cheiro quente de pessoa trancafiada e deprimida em um quarto sem correntes de ar queimando suas narinas. Ela precisava sair.

Mônica começou a se sentir um pouco melhor se movimentando e vendo a luz do dia, e começou a pensar se, de repente, ainda havia esperança para ela. Se, de repente, ela não era toda culpa e tristeza. Se, de repente, ela tinha qualidades dentro de si que pudessem ser reconhecidas se saísse da cama. E então saiu.

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